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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

História da Sala Cecília Meireles - Diário do Rio de Janeiro

Sala Cecilia Meirelles

Reaberta no dia 11 de dezembro de 2014, a Sala Cecília Meireles guarda muitas histórias. O espaço (bastante elogiado após a reforma) foi inaugurado em primeiro de dezembro de 1965, no ano comemorativo do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro e um ano após a morte da poetisa, pintora, professora e jornalista que nomeia o prédio – e era muito amiga do então governador Carlos Lacerda.

O espaço foi gerado para promover a música de concerto na cidade, que era um gênero que apesar de ser disseminado na época, migrava de local em local e não tinha uma sede fixa permanente e apropriada.
O prédio onde hoje é a Sala Cecília Meireles foi construído em 1896 e nele foi instalado o Hotel Freitas. Como o público da hospedaria ficou economicamente mais abastardo, o nome passou a ser Grande Hotel. O tempo passou e em 1939, o hotel esteve ameaçado de demolição. No ano seguinte, após uma breve reforma, a construção foi adaptada para um cineteatro, o Cine Colonial.
Cine Colonial
Em 1961, o Cine Colonial (que a partir de 1941 passou a ser só cinema, deixando o teatro de lado) foi fechado. Três anos depois, em 1964, Andrade Muricy, que escrevia no Jornal do Commercio, criticou o fato de a cidade do Rio de Janeiro ter poucos espaços para a música clássica. Carlos Lacerda, governador do então Estado da Guanabara e ex-aluno de violino, entendeu o recado, desapropriou o espaço do antigo cinema e começou os trabalhos para que a música erudita tivesse uma casa no Rio.
Logo de cara um grande evento abriu as portas da Sala Cecília Meireles. O concerto de inauguração teve a participação de Maria Fernanda, filha de Cecília Meireles, que declamou textos da poetisa ao lado de Paulo Padilha, acompanhada pelo violão de Jodacil Damasceno.
Sala Cecilia Meirelles 1965
Desde sua inauguração, a Sala Cecília Meireles não parou de receber grandes nomes da música clássica nacional e internacional. Sob o comando de diretores consagrados no meio musical, como Henrique Morelenbaum, José Mauro Gonçalves, José Renato, Isaac Karabtchebsky e outros, o espaço sempre foi referência na América do Sul nesse estilo de se fazer arte.
“Através de seus concertos acessíveis e de projetos que chamam as pessoas para conhecer a música clássica, como um que existia com crianças da rede pública de ensino, a Cecília Meireles dá muito ao povo brasileiro. Nada contra o que é popular e toca nas rádios, mas acredito que todos merecem, ao menos, conhecer novidades, até para julgar se gosta ou não” diz o violinista Marcos Souza.
Após as obras, que começaram em 2011, a Sala Cecília Meireles voltou com novidades. Como, por exemplo, a acessibilidade em seus três andares, o café da sala no primeiro andar e, na parte arquitetônica, a abertura dos grandes vãos interiores.
Um espaço que simboliza tanto para o passado e contribui para o futuro da Cidade Maravilhosa deve sempre ser bem cuidado para impressionar, por dentro e por fora, como vem fazendo nos últimos tempos.
Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.
História da Sala Cecília Meireles - Diário do Rio de Janeiro

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